A partir de 29 de março lançaremos semanalmente, todas as quintas, uma nova música do projeto “Cumulus Sambas”. Serão vídeos, desenhos, animações, making ofs, tudo pra acompanhar uma bela canção! Cumulus Sambas é: Marcelo Quintanilha e Camilo Carrara. Apreciem.
18:03, Sexta, 18/05/2012
CHORO BANDIDO
Edu Lobo / Chico Buarque
Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as cançáµes
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daá nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim
Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapáµes
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as cançáµes
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons
11:43, Segunda, 07/05/2012
De volta pro Morro
(Marcelo Quintanilha)
Ed. Páginas do Mar
No bairro onde fui morar
Não tem menino de rua
Jogando pelada
Não tem mulher semi-nua
Desfilando na calçada
Vendendo o corpo por quase nada
Lá não tem ladrão, não tem bandido
Não tem tem assalto
O nível social é muito alto
E a vizinhança é toda educada
Não tem nem ponte ou viaduto
Pra vagabundo fazer morada
É um silêncio eterno e absoluto
É quase um luto
Não se ouve nem alma penada
No bairro onde fui morar
Não tem fofoca ou intriga
Não tem ti-ti-ti
Nem bate-boca nem briga
Lá ninguém tá nem aí
Sou eu por mim, cada um por si
Lá não tem batida, bala perdida
Boca de fumo
Não tem quem compre, lá não tem consumo
E a madrugada é feita pra dormir
Não tem boteco pra cachaça
Pro samba romper a aurora
E dia a dia a assim a vida passa
Mais sem graça
E antes que ela se acabe eu vou-me embora
Eu vou voltar pro meu barraco
Que eu não tenho saco
Isso aqui não é pra mim
Melhor assim
Pra me livrar do tédio
Só tem um remédio
É cavaquinho e tamborim
No meu botequim
Eu quis dar de bacana
O samba me deu grana
Eu comprei a mansão
Mas o malandro quer voltar pro morro
Tô pedindo Socorro
Emplorando perdão
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